Empresas > O executivo Eduardo Regonha fala sobre os impactos da crise nos custos hospitalares
O agravamento da crise financeira internacional tem trazido novos desafios ao cenário econômico global. Com início no último trimestre de 2008, a crise fez com que investidores brasileiros passassem a uma controladoria atuante com orçamento integrante a um planejamento estratégico, além de uma área financeira dinâmica. Desafios esses, chamados de "lição de casa" pelo diretor técnico executivo da Planisa, Eduardo Regonha.
Para ele, a crise financeira internacional trouxe ao Brasil alguns impactos intensos e outros nem tanto. "Muitos prestadores de serviços ficaram felizes com a crise, porque aumentou a demanda de serviço. Porém, isso prejudica as operadoras de planos de saúde e, ao mesmo tempo, favorece os hospitais que por si só aumentaram suas produtividades", exemplifica Regonha.
De acordo com o executivo, os impactos não podem ser generalizados, em vista que a crise financeira foi muito severa provocando uma queda acentuada da rentabilidade. Assim, o efeito mais grave se dá a perda de confiança no sistema financeiro, e os impactos imediatos ficaram por conta dos produtos atrelados ao dólar, materiais, medicamentos, equipe e a dificuldade das operadoras em repassar os devidos valores para os prestadores de serviços.
"O Brasil já foi muito sensível a crise, por exemplo, no ano de 1929, mas o fato de hoje o país ter uma reserva cambial e não adquirir dívidas em dólar fez com que a economia brasileira se favorecesse. A crise já foi embora e não fizemos nada", comenta.
Apesar do país se encontrar em uma posição mais favorável nesse momento quando comparado ao observado nas crises enfrentadas anteriormente, empresas deve se atentar para o fluxo de caixa que, segundo Regonha, tem de ser previsto e realizado. "Além disso, dilatar os prazos de pagamento o máximo possível, se atentando a taxa de juros, é uma forma de evitar que o impacto chegue ao seu caixa".
Uma pesquisa realizada em 27 hospitais brasileiros, em abril, mostra que no período de crise 42% destas instituições foram pressionadas pelas operadoras de planos de saúde, resultando no aumento de glosas e dificuldade na realização de exames. Ainda, conforme a pesquisa, 85% adotaram alguma medida para redução de custos e 42,8% sofreram, parcialmente, reajustes nos custos de insumos.
"Ao realizar essa pesquisa, pude constatar que nenhum hospital teve a crise como catastrófica. Sim, teve impacto, mas nenhum centro hospitalar apresentou grandes quedas, pelo contrário, o faturamento deles aumentou", afirma Regonha.
Enquanto no Brasil, especialistas apostam que a crise financeira impactou sem grandes problemas e com previsão para uma maior estabilidade no terceiro semestre do ano, as implicações sobre a economia norte-americana serão de um menor crescimento do produto e maior desemprego mais adiante. Nos Estados Unidos, pesquisas apontam que estes são alguns dos diversos riscos que ainda há pela frente. "Outro risco previsto pela pesquisa é que o consumo privado permaneça em baixa. Importante dizer que esta pesquisa não se restringe somente aos Estados Unidos, mas também a Zona do euro, o que é relevante por serem grandes áreas responsáveis pela economia mundial", conclui.
Impactos da crise nos custos hospitalares
Regonha reafirma que o Brasil está imune e não sentiu tanto os impactos da crise financeira internacional, mas que de uma forma menos agressiva provocou aumento nos custos de insumos; atraso no recebimento; pressão para redução de tabelas; redução de demanda efeito pós-crise e; alguma dificuldade na captação de recursos.
"Acredito que o pior já passou, embora ainda haja um rescaldo em setores específicos".
Como atenuar os impactos gerados?
"A principal forma de atenuar os impactos gerados pela crise é ter controle de dados para as tomadas de decisões", orienta o executivo. Para ele, saber negociar, avaliar produtos nacionais em detrimento aos importadores e pesquisar novos fornecedores são alguns caminhos para a recuperação. Além disso, Regonha salienta que, apesar da crise, investimento é sempre necessário, mas com uma boa análise de viabilidade econômica.
"Precisa reduzir custos, mas redução adequada. Afinal, há setores que precisam aumentar os custos para melhorar. Tire o 'S' da crise... crie", enfatiza Eduardo Regonha.
(Thaia Duo - Saúde Business Web)
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